• Manuela Sá Pereira Costa

MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA: Hortência Marcari

Hortência de Fátima Macari, uma das melhores jogadoras de basquete da história, é uma mulher que sem dúvidas merece um texto nesse especial. Com feitos incríveis no esporte e um recorde um tanto quanto inacreditável, a ex atleta brasileira teve uma trajetória extremamente consistente no esporte.

Nasceu no dia 23 de Setembro de 1959, em Potirendaba. Caçula de seis filhos, vem de origem humilde, filha de um casal de lavradores.


Aos 9 anos, ela e sua família se mudam para Santo André, e Hortência passa a jogar futsal, handebol e praticar atletismo. O basquete passa a fazer parte de sua vida quando seu professor de educação física a chama para integrar o time desta modalidade no colégio onde estudava. Apesar de aceitar o convite, a jogadora teve dificuldades e quase parou de jogar.


A falta de dinheiro a impedia de pagar a passagem para ir treinar e de comprar os materiais necessários, como tênis adequado. A salvação veio com o projeto da Secretaria dos Esportes, chamado de “Adote um atleta”. Seu professor a apresentou ao projeto, que permitiu à atleta ganhar patrocínio da indústria Caloi, e continuar treinando.


Aos 14 anos, Hortência é contratada e estreia como jogadora de basquete profissional pelo São Caetano do Sul, onde permanece de 1973 até 1975.


Com apenas 16 anos e um talento notável, Hortência passa a fazer parte da seleção brasileira, ganhando em 1976 o Campeonato Sul-Americano da Juventude.


Logo depois, a atleta muda de clube, agora integrando o Catanduva, onde conquistou três campeonatos paulistas. Enquanto jogava nesse time, ela também trabalhava em uma rádio e dava aulas de basquete em colégios da cidade.


Sua carreira explodiu nos anos 80, quando a jogadora, defendendo a seleção, conquistou medalhas em diversos campeonatos internacionais, como a medalha de bronze nos Jogos Pan Americanos de Caracas, em 1982, além da medalha de prata na Copa América de 83 e também prata no Pan Americano de Indianápolis, em 1987. Também em 82, jogando pelo time Prudentina, a atleta se torna bicampeã sul americana, além dos títulos estaduais e regionais que havia conquistado nesse mesmo ano.


O título mais expressivo não só da atleta, como do basquete brasileiro veio em 1994, quando a seleção venceu o Campeonato Mundial na Austrália.



Apesar de uma carreira extremamente consistente e ainda muito talentosa, Hortência decide se aposentar neste mesmo ano, com o objetivo de focar em sua vida pessoal e um dos seus sonhos: ser mãe.


Em 1996, a Confederação Brasileira convenceu Hortência a voltar a jogar, visto que a participação dela, devido a seu talento, era importantíssima para os Jogos Olímpicos de Atlanta naquele ano. Com uma preparação extremamente difícil para a atleta, que havia dado a luz a seu primeiro filho em Fevereiro desse mesmo ano, ela ainda assim fez parte do elenco da seleção. Tal situação demonstra um dos principais fatores que a fizeram ser uma jogadora tão incrível: desistir nunca era uma opção, não importa a dor que ela sentisse, o quanto fosse necessário treinar, ela se prepararia e daria o seu melhor nas olimpíadas.

E foi exatamente o que aconteceu. Apesar de não ter conquistado o ouro, a seleção trouxe alegria para o povo brasileiro com a conquista da medalha de prata.


Hortência tem uma história invejável no esporte, com recordes que até hoje não foram batidos.

Em 1991, a atleta fez 121 cestas em um jogo do campeonato paulista, batendo assim um recorde mundial, que ainda não foi batido.


Além disso, ela é a maior pontuadora da história da seleção brasileira, com 3160 pontos marcados em 127 partidas oficiais, com uma média de 24,9 pontos por partida.

Para essa lista, também não podemos deixar de mencionar a participação da atleta em 5 campeonatos mundiais.


Em 2002, passou a integrar o Hall da Fama do Basquetebol Feminino, em Tenessee, nos Estados Unidos.


E, como se não fosse suficiente todo esse reconhecimento, em 2005 ainda temos mais um feito: sua entrada para o Hall da Fama NaiSmith, onde passou a fazer parte de um pequeno e seleto grupo de jogadores de basquete que integram o mesmo. Ela é a única atleta brasileira a fazer parte desse Hall.


Em 2009, seu nome foi incluído no Hall da Fama mundial do basquetebol, conhecido como o Hall da FIBA, em Madri, na Espanha.


E, para fechar com chave de ouro, em 2018, poucos dias antes de seu aniversário, ela recebeu o título de Melhor Jogadora de Todos os Tempos, após uma votação da FIBA, em que ganhou com 85% dos votos.

Ela é, sem dúvida, uma mulher que fez história e é extremamente importante para o esporte brasileiro. Com uma trajetória extremamente consistente, a atleta foi uma grande pontuadora e peça chave em diversos títulos da seleção, e deve servir de inspiração para todos nós.


Imagens: Google Imagens.