• Manuela Sá Pereira Costa

MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA: Magic Paula

Maria Paula Gonçalves da Silva, brasileira, ex jogadora de basquete, é uma atleta que não poderia faltar nesse especial. Conhecida como Magic Paula, ela tem uma trajetória incrível no esporte.


Parece que já estava escrito que ela seria uma grande atleta. Nascida pelas mãos de um médico amante do basquete, Paula sempre pode contar com o apoio dos pais. A vida calma, proporcionada pela vida no interior, também foi grande facilitadora para que ela pudesse jogar basquete, já que ia e voltava sozinha dos treinos.


Quando Paula tinha apenas 10 anos, o clube da sua cidade, Clube das Bandeiras, montou o primeiro time de basquete feminino. Apesar de sua empolgação, Paula não começou logo de cara a treinar com o time, pois o treinador a considerava muito nova. Após meses de insistência, o técnico permitiu que ela começasse a jogar. O talento da menina logo impressionou, e com poucas semanas de treino já era uma das melhores jogadoras do time, dando início assim a sua carreira no basquete.

Aos 12 anos, foi chamada para jogar pelo Assis Tênis Clube, em Assis. Foi um momento muito difícil pois seus pais tiveram que permitir que Paula, mesmo tão nova, se mudasse para outra cidade e morasse com a família de seu novo treinador.


A armadora, se mostrando craque nas assistências e arremessos, principalmente de 3 pontos, após um ano e meio em Assis teve que escolher outro local para jogar, visto que o time havia acabado.


Seus pais, preocupados em oferecer uma boa educação mas ainda sim manter a jovem no esporte, optaram pelo Colégio Divino Salvador, em Jundiaí.


3 meses depois, em 1976, Paula foi convocada para a seleção brasileira adulta de basquete. Tendo apenas 14 anos, ela se tornou a atleta mais nova da história a ser convocada para a seleção adulta.

Após 4 anos no Divino, a jogadora se interessa pela Universidade Metodista de Piracicaba, que possuía um projeto pioneiro ao unir a universidade ao esporte. Jogou 8 anos lá, resolvendo posteriormente voltar para o Divino.


Pouco tempo depois, visando uma guinada na carreira, a atleta aceitou a proposta do time espanhol Tintoretto, deixando as terras brasileiras por um período. Porém, uma lesão no joelho e a não adaptação ao estilo de treino espanhol fizeram com que esse período fosse curto, trazendo a jogadora de volta para o Brasil em 1991, atuando pela equipe BNC/Piracicaba.


E é nesse mesmo ano que Magic Paula vence, ao lado da seleção, os jogos Pan americanos de Havana, após já ter conquistado a medalha de bronze em 83 e a de prata em 87.

Em 1993, Paula foi para a Associação Atlética Ponte Preta, onde pela primeira vez defenderia a camisa de um clube de futebol e conquistaria o mundial de clubes. Também foi o clube onde ela, pela primeira vez, jogou ao lado de Hortência.


Após certos conflitos pessoais com Hortência, a atleta volta para Piracicaba em 94, passando a jogar pelo Unimep. E esse ano mágico proporcionou a maior conquista da carreira da jogadora: o campeonato mundial de seleções. Realizado na Austrália, a seleção brasileira chegou a final após uma semi emocionante onde venceu os Estados Unidos por 110 x 107. A final, contra a China, teve a vitória brasileira por 96 a 87.

Em 96, jogando pelo Microcamp, além de ser campeã paulista pela oitava vez, Paula brilhou novamente na seleção, mais precisamente nos jogos olímpicos em Atlanta, onde conquistou o segundo lugar, fazendo uma despedida em grande estilo, visto que seria a última vez que a atleta jogaria pela seleção.


Porém, ela permaneceu nas quadras até o ano de 2000, jogando pelo BCN-Osasco. Aos 38 anos, com 28 anos de carreira, a atleta deu adeus às quadras.


Após parar de jogar, Magic Paula, sendo formada em Educação Física, passou a estudar para entrar na carreira de gestão esportiva.


Em 2004, funda o Instituto Passe de Mágica, uma ONG com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de crianças utilizando a prática do esporte como meio. O projeto abrange mais de 900 crianças, e conta com 5 núcleos em 3 cidades de São Paulo.

E você deve estar se perguntando, mas por que Magic Paula?


O apelido foi dado para a jogadora pelo jornalista Juarez Araújo, no ano de 1983. Impressionado com as habilidades de Paula, Juarez a apelidou carinhosamente assim em referência ao jogador americano Magic Johnson.


Com uma trajetória consistente e marcada por títulos, a jogadora, como merecido, teve e ainda têm muito reconhecimento no mundo da bola laranja. Magic Paula entrou em 2006 para o Hall da fama do basquete feminino, e em 2013 para o Hall da fama da FIBA.


Sendo a segunda maior pontuadora da história da seleção brasileira (2537 pontos, com uma média de 16,9 pontos por jogo) e a atleta que mais disputou jogos pela seleção, Magic Paula é, sem dúvidas, uma mulher que fez história no mundo do esporte.


Imagens: Google Imagens