• Manuela Sá Pereira Costa

MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA: Maria Lenk

Maria Emma Hulga Lenk Zigler, filha de imigrantes alemãs, foi grande pioneira da natação feminina e ensino da Educação Física no país.


Nascida em 15 de Janeiro de 1915, o motivo que levou Maria a entrar no mundo da natação é curioso: uma pneumonia dupla. Após ter a doença que afetou seus dois pulmões, seus pais acharam que a natação faria bem para ela, podendo ajudar na sua recuperação. Assim, ela começou a nadar aos 10 anos, no rio Tietê, quando ainda era possível entrar e praticar esportes como natação e remo.

Com apenas 17 anos, a atleta foi convocada para nadar nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1932). Extremamente talentosa, ela se tornou a primeira mulher sul-americana a participar de uma olimpíada.


Sendo a única mulher numa delegação com outros 45 homens, Maria embarcou para Los Angeles em um navio, que fora cedido à Confederação Brasileira de Desportos. Os custos da viagem foram pagos com a venda de café. O produto, transportado nos porões do navio, deveria ser vendido a cada parada que a embarcação fizesse. O desembarque só seria permitido a quem vendesse uma determinada cota de café. Após uma viagem de um mês, em um navio que não tinha estruturas que permitissem o treino dos atletas, eles chegam a seu destino. Apesar de não sair vitoriosa nessa edição dos jogos, a atleta participou das provas de 100 metros livre, 100 metros costas e 200 metros peito.


Em 1936, em Berlim, agora já acompanhada de outras três mulheres, Maria marcou, novamente, a história. Mesmo não conquistando medalhas, a atleta surpreendeu ao utilizar, no nado peito, braçadas por fora da água, dando origem assim ao nado borboleta. O nado passou então a ser utilizado por outros nadadores, e em 1956 foi oficializado pela Federação Internacional de Natação.


Em 1939, na preparação para as olimpíadas de Tóquio, no ano seguinte, Maria Lenk estava em sua melhor forma, batendo dois recordes mundiais: nos 200 e 400 metros. Os jogos de 1940 prometiam, e a atleta tinha grandes chances de finalmente conseguir uma medalha. Porém, devido a Segunda Guerra Mundial, os jogos foram cancelados, fazendo com que ela perdesse uma de suas maiores chances de alcançar o pódio.

Em 1942, ela decidiu abandonar, temporariamente, as piscinas, passando a se dedicar ao estudo da Educação Física. Ajudando a fundar a Escola Nacional de Educação Física, atual Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela se tornou a primeira mulher a dirigir uma faculdade de Educação Física na América do Sul.

Passou também a fazer parte do corpo docente da faculdade. Muitos dizem que Maria tinha uma personalidade extremamente forte, e era muito rígida, o que tornava um pouco difícil lidar com ela, tanto em relações profissionais como pessoais. Ela também fora muito criticada por manter vínculos com governos ditatoriais, como o de Getúlio Vargas no Estado Novo. Mas não há dúvidas sobre a sua importância e o seu legado, tendo lecionado natação na universidade, por anos, com maestria.


Em 1980, a atleta voltou a nadar, agora participando da natação master, tendo batido diversos recordes mundiais. Em 2000, ela conquistou 5 medalhas de ouro no mundial da categoria 85-90 anos, sendo elas: 100m peito, 200m livre, 200m costas, 200m medley e 400m livre.


No total, acumulou 11 campeonatos mundiais Master, ganhando 54 medalhas, sendo 37 dessas douradas.

Em 1988, Maria entrou para o Hall da Fama da Natação internacional e, em 2007, foi a vez do Brasil homenageá-la, dando o seu nome ao parque aquático que seria palco dos jogos Pan-americanos.


Sendo fiel a natação durante toda sua vida, Maria Lenk faleceu dia 16 de Abril de 2007. Enquanto nadava na piscina do Clube de Regatas do Flamengo, ela sofreu uma parada cardio respiratória.


Uma mulher com garra e muitas conquistas, com uma história que precisa ser lembrada, afinal, foi uma das mulheres pioneiras no mundo do esporte brasileiro e da Educação Física no país.


Imagens: Google Imagens.