• Manuela Sá Pereira Costa

MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA: Terezinha Guilhermina

Terezinha Aparecida Guilhermina, velocista brasileira, é uma atleta paralímpica, com uma história repleta de superações e vitórias.

Terezinha nasceu em Betim, em Minas Gerais. Vinda de uma família grande, 12 irmãos, e de origem humilde, teve sua vida repleta de desafios desde o início. Aos 9 anos de idade, perdeu sua mãe. Pouco tempo depois, foi a vez do pai sair de casa e abandonar a família. Coube então ao seu irmão mais velho cuidar de toda a família.


Ela e quatro de seus irmãos têm retinose pigmentar, doença que consiste na perda gradual da visão, e que a torna atleta paralímpica. Os médicos acreditam que a incidência dessa doença na família ocorreu pelo fato de seus pais serem primos de primeiro grau.


Apesar de todas as dificuldades que Terezinha apresentava, como esbarrar constantemente em móveis e tropeçar, ela achava que isso era normal, inclusive conta que, por um tempo, acreditava que todos enxergavam como ela. Mas, essa não era a realidade. Sendo o pior caso da doença entre seus irmãos, a velocista nunca teve visão superior a 5%.


Especializada nas corridas de 100, 200 e 400 metros rasos, a velocista iniciou sua carreira no esporte tardiamente, aos 22 anos.


Ao sair da escola, Terezinha decidiu fazer um curso técnico de administração. Apesar de muitos dizerem que ela não conseguiria, ela se formou no curso com excelentes notas. Porém, a dificuldade de encontrar um emprego na área foi o que a levou a realmente começar no mundo da corrida.


O caminho não foi fácil. O desejo de correr já era uma realidade, mas por não possuir tênis, a atleta se inscreveu na natação. Pouco tempo depois, ao ganhar um calçado de sua irmã, Terezinha nunca mais largou a corrida.


Sua primeira corrida foi em 2000, ao se inscrever em uma corrida para deficientes visuais organizada pela prefeitura de Betim. Essa corrida a proporcionou um convite:ser atleta de um clube em Belo Horizonte.


Em um campeonato parapan-americano na Carolina do Sul, Terezinha levou quatro medalhas de prata na categoria T12 (baixa visão), começando então sua carreira tão vitoriosa.


Infelizmente, mais uma dificuldade surgiu na vida da atleta. Em 2004, ela ficou completamente cega, passando a fazer parte da classe T11, onde os atletas possuem deficiência visual total, e precisam correr de venda e serem acompanhados por um guia. Apesar do choque, ela continuou se dedicando ao esporte e conquistando títulos.



Aos 39 anos, Terezinha realizou uma cirurgia que a permitiu ter de volta parte de sua visão. Apesar de não enxergar quase nada, o procedimento deu esperanças a atleta de voltar a competir sem guia, na classe T12, já que voltará a ver as linhas que dividem as rais da pista como um borrão, que de acordo com ela será o suficiente para competir novamente na classe para atletas de baixa visão. Tendo adotado uma nova rotina intensa de treinamentos, a atleta planeja conseguir mudar de classe para voltar a competir como T12 já nas olimpíadas de Tóquio.


Todas as dificuldades, porém, não impediram a velocista de alcançar muitas conquistas



Em 2012, Terezinha passou a fazer parte do Guiness Book, como atleta paralímpica cega mais rápida do mundo, com o tempo de 12,01 segundos na corrida de 100 metros. Além disso, a atleta acumula 8 medalhas paralímpicas, sendo 3 ouros, 2 pratas e 3 bronzes.

Para aumentar ainda mais a lista de prêmios, ela possui 17 medalhas em mundiais: 13 ouros e 4 pratas. E, para fechar com chave de ouro, 9 medalhas em parapan-americanos: 8 pratas e 1 bronze.


Com a pandemia mundial do coronavírus e o adiamento dos jogos paralímpicos de Tóquio, que agora serão em 2021, não consegui nenhuma informação se a atleta, atualmente com 41 anos, irá competir. Porém, com uma história tão inspiradora e cheia de reviravoltas, acredito que a atleta tentará ao máximo participar e se preparar para os jogos paralímpicos, até porque agora, com o apoio de patrocinadores, a caminhada até os jogos se demonstra bem mais fácil do que já foi no passado, quando a atleta não tinha nem calçado adequado para correr.


A atleta, que sonha em correr uma maratona antes de finalizar sua carreira no esporte, tem uma vida, sem dúvidas, inspiradora. Ela também mantém um projeto social em Maringá, cidade paranaense onde passou a maior parte de sua carreira. É uma mulher que entrou para história não só com seus títulos no esporte, mas como exemplo de garra e força de vontade, e que merece toda admiração e torcida do povo brasileiro.


Imagens: Google Imagens