• Caio Lisboa de Souza

O desejo pela queda dos treinadores

Por: Caio Lisboa


Nos últimos meses, vimos ocorrer uma situação que já é clássica no futebol brasileiro. Domènec Torrent, atual treinador do Flamengo, chegou ao clube e com apenas três partidas à frente da equipe rubro-negra os torcedores já pediam a demissão do treinador. Treinador esse que em 9 jogos já tem aproveitamento melhor que Jorge Jesus e Abel em suas 9 primeiras partidas no cargo.


O catalão pegou uma equipe com vício de jogar na formação de Jorge Jesus e que não tinha o costume de fazer rodízio nas formações inicias, mesmo tendo grandes jogadores no banco de reservas. Mesmo assim, os torcedores não mediram palavras pra pedir a cabeça do treinador, poucos o defenderam.


E isso já é rotineiro no nosso futebol. Em nove rodadas do Campeonato Brasileiro, sete treinadores já foram demitidos. Alguns deles finalistas de seus campeonatos estudais.


Ney Franco, no Goiás, tinha mais de 10 jogadores que estavam com COVID-19, teve que mudar toda sua estratégia, escalar reservas, e foi demitido pelos maus resultados. Dorival Júnior, no Athletico-PR, ficou três rodadas sem comandar o time por estar com COVID-19. Quando voltou ao trabalho, sofreu uma derrota e foi demitido.


Como explicar essas demissões? O vício que já está enraizado nos torcedores brasileiros de ligar sempre resultados negativos a um mau trabalho do treinador. Sendo que existem muitos outros fatores por trás de um resultado negativo, como a força do seu adversário, a forma física de seus atletas, o ambiente dentro do vestiário, entre várias outras situações que podem atrapalhar o desempenho dos jogadores.


No entanto, também não vemos nenhuma postura dos clube no sentido oposto desse vício. Quando começa a pressão dos torcedores os clubes cedem e demitem quem está no cargo, as vezes contratando inclusive treinadores que futuramente terão um desempenho pior com a equipe.


O que nos resta é ponderar as situações e se posicionar de forma contrária ao movimento demissionista. Mas com a consciência de que essa situação não mudará por um bom tempo.