• Bernardo Marchiori

OPINIÃO DO BERNARDO: O baile espanhol na Alemanha

No 2º dia após a volta da Liga Europa da UEFA, o Sevilla, de Julen Lopetegui, desfilou sobre a Roma, de Paulo Fonseca, e avança em boa fase.


Hoje (6), ocorreram os quatro últimos confrontos da fase de oitavas-de-final da UEFA Europa League. Com Manchester United, Copenhagen, Internazionale e Shaktar Donetsk já classificados, Sevilla, Wolverhampton, Basel e Bayer Leverkusen seguiram o mesmo caminho e avançaram no torneio.


Com o anúncio da UEFA sobre o retorno das suas competições, somaram-se diversas mudanças e novidades no formato de cada uma - e, portanto, na Liga Europa não foi diferente. Foi definido que a partir das fases ainda não disputadas, os confrontos seriam realizados em jogo único. Já para as não concluídas, as partidas de volta ocorreriam nos mesmos moldes antigos, à exceção de dois duelos: Inter de Milão x Getafe e Sevilla x Roma, que como não jogaram a ida, o confronto seria único.


O segundo, realizado hoje na Schauinsland-Reisen-Arena (Duisburg - Alemanha), atraía muita expectativa, principalmente por serem dois clubes de tradição no velho continente. Nessa temporada, o Sevilla conseguiu a classificação para a Champions League após uma bela campanha de 4º colocado (atrás, apenas, de Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid). Já a Roma, mesmo sem fazer um campeonato italiano convincente, garantiu sua vaga na próxima edição da Europa League ficando em 5º (Juventus, Inter, Atalanta e Lazio ficaram na frente). Enquanto o time da capital da Itália vinha de 8 jogos sem perder, os rojiblancos permaneciam invictos no período pós-quarentena - e a sequência permaneceu, enquanto a dos giallorrossi foi encerrada.

Éver Banega foi, mais uma vez, um dos destaques do Sevilla. (Imagem: Reprodução/VAVEL)

O jogo


Falar que o tão aguardado duelo foi completamente dominado pelo Sevilla não está nem perto de ser exagero. Julen Lopetegui, o comandante sevillista, organizou uma marcação pressão e a imposição de seus jogadores no campo de defesa adversário complicou demais a saída de bola da Roma. As dificuldades eram tão aparentes que grande parte dos jogadas italianas se realizavam por meio de contra-ataques rápidos - todos sem sucesso.

Zaniolo era uma das principais esperanças da Roma, mas não teve muito tempo de jogo. (Imagem: Reprodução/Chiesa Di Totti)

Além disso, as ações ofensivas do time espanhol escancararam a discrepância entre as duas equipes: a qualidade e a técnica eram visivelmente superiores em um dos lados. Domínio na posse de bola, passes objetivos e belas criações, tanto individuais como coletivas, descrevem bem o primeiro tempo do Sevilla. Associando isso às evidentes falhas defensivas da Roma - talvez pela ausência de Smalling, que retornou ao Manchester United após o fim do empréstimo -, os dois gols necessários para a classificação foram feitos ainda na primeira etapa. O primeiro, numa virada de jogo rápida de Éver Banega para Sergio Reguilón, que entrou como quis na área e ainda contou com falha do goleiro Pau López para abrir o placar; o segundo, em contra-ataque orquestrado por Joan Jordán, após grande lançamento para Lucas Ocampos, que passou como quis pelo defensor adversário e deixou Youssef En-Nesyri só com o trabalho de empurrar pro gol.


Embora o Sevilla tenha diminuído o ritmo após os gols, a Roma, apesar do aumento da intensidade, não conseguiu dar muitos sustos no ataque. Inclusive, vale destacar o zagueiro brasileiro Diego Carlos, que, assim como na temporada inteira, exalou sua qualidade defensiva. O artilheiro Edin Džeko provavelmente terá pesadelos com seu marcador. E não só ele, toda a defesa rojiblanca estava muito bem postada e impediu qualquer avanço adversário.

Diego Carlos complicou bastante a vida de Edin Džeko. (Imagem: Reprodução/Rangdhonubd)

Paulo Fonseca, treinador da Roma, ainda se equivocou ao substituir Nicolò Zaniolo logo no início da segunda etapa. O jovem era uma das esperanças para a criação no pobre esquema 3-4-2-1 armado. Quem sofreu com isso foi o bósnio Džeko, que praticamente não teve oportunidades de fazer o que sabe: gol - coincidentemente (ou não), o que faltou no time italiano.


Para fechar o terrível dia, o zagueiro Gianluca Mancini foi expulso nos acréscimos e, portanto, desfalcará sua equipe na primeira rodada da fase de grupos da próxima Europa League. Por outro lado, o Sevilla, maior campeão da competição com 5 títulos, segue firme e forte na disputa pelo sexto. Enfrentará, nas quartas-de-final o Wolverhampton, que hoje eliminou o Olympiacos pelo mínimo placar (1x0) e não convenceu. Se enfrentar os comandados de Lopetegui, em um dia inspirado como hoje, no mesmo ritmo dessa partida, tem grandes chances de sofrer as consequências, assim como a Roma.


A partida será na próxima terça-feira (11), às 16h (horário de Brasília).