• Márcio Guerra

SEM EXPLICAÇÃO

Por: Márcio Guerra


Se existe algo muito mal explicado no futebol brasileiro é o critério adotado pelos dirigentes para contratação e demissão dos treinadores. Isso passa pelas multas colocadas nos contratos, que só beneficiam os técnicos, nunca os clubes. Mas passa também pelos motivos (muitas vezes ligados a coisas, no mínimo, estranhas) das escolhas de quem vai dirigir os clubes. Vejamos o caso do Cruzeiro. Demitiu um treinador limitado para contratar o reconhecidamente incompetente Ney Franco. Qualquer pessoa menos esclarecida já sabia que não daria certo.

O Vasco, sabe Deus o motivo, demitiu Ramon. Fico espantado em saber que os seus dirigentes pensam em contratar Dorival Júnior, que anos atrás demitiram por considerarem que ele não era bom para o próprio Vasco. O Corinthians vive essa dúvida sobre quem vai contratar. E fica a dúvida, deixar o Coelho (inexperiente) ou trazer inúmeros outros já ultrapassados.


O Botafogo demitiu Autuori (não sei quanto de multa vai para a conta do clube) e efetivou o fraquíssimo filho do Lazaroni. Sim, é isso que o moço é, filho de um grande treinador, o que não o qualifica para a mesma função. Todos esses exemplos mostram a fragilidade e amadorismo dos nossos dirigentes (excluindo a possibilidade de negócios estranhos com empresários nas escolhas). Sim, porque todos os diretores de futebol contam, abertamente, que tão logo demitem um treinador, dezenas de outros são oferecidos por empresários. Ou seja, negócio, em vez de capacidade.


Isso fragiliza a profissão. Prejudica sensivelmente a imagem de possíveis renovações da função no futebol brasileiro e abre espaço para os oportunistas dizerem que os do exterior são melhores que os nossos. Há muito "angu debaixo desse caroço", como diziam os antigos. Muita coisa a ser explicada. Certamente boa parte da mídia nacional deve saber o que acontece nos bastidores, mas tem se omitido e evitado criticar a forma e ficar apenas no lamento da insegurança do cargo de treinador no Brasil.