• Márcio Guerra

TREINADORES DAQUI OU DE FORA?

Por: Prof. Dr. Márcio Guerra


A vinda e saída de Jorge Jesus no Flamengo, a vinda de Torrent para seu lugar. Sampaoll no Atlético. E até o português, Daniel Neri, do Salgueiro, campeão pernambucano 2020, despertam sempre a polêmica sobre a distinção na qualidade dos profissionais que aqui estão em relação aos que atuam na Europa. Sinceramente, acho uma discussão tola. Existem bons treinadores aqui e lá. Como existem muitos enganadores lá e aqui. O problema não me parece nem ser de atualização, de capacidade, mas sim do grau de profissionalismo empregado no futebol europeu que, aí sim, ganha de goleada do nosso.


O novo treinador do Flamengo, auxiliar inventado pela diretoria do clube, errou feio nos dois primeiros jogos do Brasileiro. Imediatamente começaram a crucificá-lo. Neste sábado, após a vitória sobre o Coritiba, alguns jornalistas esportivos (infelizmente também temos alguns que esquecem seu compromisso ético e atuam como torcedores) já diziam que ele não é tão despreparado assim. Esse é o futebol brasileiro. Certamente, se tivesse perdido para o Coritiba, provavelmente o presidente falastrão do clube carioca estaria pensando em demitir Torrent. Aqui é assim. 


Após ser goleado por 8 a 2 para o Bayern, não se falou em demissão do treinador. Pode até ser que ele caia, mas não por conta da goleada, mas pela sequência de uma desastrosa campanha, onde os culpados são muito mais os jogadores do que o técnico. A instabilidade dos nossos técnicos explica essa sensação que muitos têm de que há uma distância muito grande no talento de treinadores de lá em relação aos nossos. O Brasil já teve e tem técnicos de grande qualidade. Telê Santana foi um deles. Zagalo também. Uma nova geração começa a surgir com possibilidades de despontarem bem no futuro. Desde que consigam ter paz para trabalhar. Um deles é o treinador Ramon, do Vasco, que pode ser a grande revelação desse Brasileiro.


Enfim, insisto, acho inútil o debate sobre a distinção entre esses profissionais, quando o problema não está neles, mas sim na infraestrutura amadora dos nossos clubes, com dirigentes com conduta pouco transparente e um bando de empresários, que infestam o futebol brasileiro.