• Márcio Guerra

UM CAMPEONATO IMPREVISÍVEL

Por: Prof. Dr. Márcio Guerra


O início de qualquer campeonato sempre foi motivo de muita especulação para a mídia esportiva. Quais os favoritos? Quem corre risco de rebaixamento? Quem tem melhor elenco? Que investiu melhor? O começo do Campeonato Brasileiro de 2020, no entanto, embora possa despertar o desejo de apostas no modelo tradicional, não permite, ao meu modo de ver, de que alguém se aventure a fazer esse tipo de aposta. A não ser que queira correr um sério risco de ser desmoralizado. Como aconteceu bem recentemente, quando os jornalistas paulistas cravaram o São Paulo como o grande candidato ao título.


A pandemia, a falta de público nos estádios, os diversos fatores extras que poderão interferir na competição não podem ser colocados à margem, sob pena de não ser considerada uma opinião séria. O portal G1 se arriscou. Usou critérios de pontuação levando em consideração elenco, treinador, histórico, tabela e cravou Flamengo e Palmeiras como os dois favoritos. Eu não cravaria nem mesmos os dois.


Você poderia dizer, mas os dois realmente possuem elenco qualificado. Sim. Mas será que é isso que vai determinar o resultado final da competição? Acredito que não. Uma das coisas mais admiráveis no futebol é sua imprevisibilidade. Um Mirassol da vida pode mudar a história de um campeonato. Quando alguém aponta o Flamengo como favorito eu posso perguntar: quem garante que o time vai se adaptar ao novo treinador?


Quando alguém aponta o Palmeiras, eu pergunto: até que ponto a reformulação do elenco pode causar um desmonte na estrutura e na tranquilidade do trabalho em um clube que tem tantas interferências externas (torcida e dirigentes) no seu futebol? E o Atlético Mineiro, que investiu muito e tem um treinador reconhecidamente competente? Sim, poderia e deveria estar entre os favoritos. Mas nem ele eu cravaria. Futebol é imprevisível sim, quem se prepara melhor e investe mais sai na frente, mas, na realidade atual, isso pouco significa. Podem acreditar.


Nunca fui de ficar no muro com minhas opiniões, mas acho de uma irresponsabilidade tamanha apontar quem será o provável campeão e muito menos os rebaixados. Isso é uma medida protetiva em relação ao que considero o compromisso profissional de quem aceita a tarefa de analisar o futebol. Quem acha que estou errado, aguarde as primeiras rodadas e verá que, mais do que nunca, a lógica nesses novos tempos, favorito não existe.


Márcio Guerra é Professor Titular da Faculdade de Comunicação da UFJF, Pós doutor em Comunicação, jornalista, ex-locutor, comentarista e repórter esportivo.