• Márcio Guerra

VIDA LONGA AO REI

Por: Márcio Guerra


A expressão usada para saudar as majestades no mundo se aplica perfeitamente ao Rei Pelé. Imagino que deve ser instigante para os jovens que amam o futebol entender as razões de tantas homenagens a ele, nas comemorações dos seus 80 anos. Ele foi realmente diferenciado. Genial, fenomenal, craque, acima da média. Seja o adjetivo que se usar, será pequeno diante do que ele fez pelo futebol brasileiro. Perfeito? Claro que não. Isso não pertence a nós, por enquanto. Me lembro que tive condições de compreender sua grandeza na Copa de 70, a primeira que realmente consegui ver e me lembrar. Essa copa ele ganhou para o Brasil. Como a de 58. A de 62, não. Essa, quem ganhou foi Garrincha.


E aí me lembro que uma vez perguntei ao meu pai: quem foi melhor, Pelé ou Garrincha? Meu pai não hesitou. "Garrincha foi melhor. Mas não teve a mídia e não tinha juízo. Pelé era atleta e esperto. Garrincha jogava por prazer e era inocente". Fui então procurar vídeos de Garrincha. Portanto, foram dois reis, cada um a seu modo. Entendi que não era razoável comparar coisas desiguais.


A tentativa dos argentinos de comparar Maradona a Pelé é uma piada de profundo mal gosto. Maradona não é digno, dentro e fora de campo, de ser sequer colocado em uma disputa. Pelé merece todas as homenagens sim. Sua importância é inquestionável como seu talento. Existem os chatos de plantão que estão questionando tanta reverência. Isso é de uma tolice quando se vê seus gols, seus jogos, sua trajetória. Sim, ele podia e devia ter usado de todo seu prestígio e fama para ser um porta voz dos que sofriam com a ditadura, com a opressão, com a tortura. Mas nem todos tem habilidade e vocação para isso. Talvez fosse demais, ainda ser politicamente correto e Rei do futebol. Atleta do Século. 


Injustas as pessoas que tentam apagar as justas homenagens ao Pelé. Quem viu sabe que ele é diferenciado. Sabe que a ele, com toda reverência, devemos desejar: vida longa ao Rei.